Ontem me despedi de Aurora do Tocantins, lugar me impressionou pelo tamanho e volume d’água das nascentes, todos os rios são azuis ou verdes, conheci o Rio Azuis, apesar de estar fechado, consegui entrar mas sem tomar banho, esse é o rio mais famoso da região devido ao seu tamanho de 147m, é lindo, mas os outros não deixam nada a desejar, é impressionante a quantidade de lugar bonito, são muitos, não dá para ir em todos, então segue o instinto.
Uma coisa interessante é que aqui não tem pedra, Serras Gerais é feita de areia, em cima é plano e fica o estado da Bahia, região de Roda Velha BA e Luiz Eduardo BA.
Já percebi que pela manhã não chove e a tarde sempre chove e para o tempo todo, chove muito forte e em 10 min tá fazendo sol, o calor é razoável, humm é “inverno” essa época, o que era poeira virou lama, mas muita lama.
No caminho ao meu próximo destino, lagoa da Serra, era para ser uma viagem tranquila, 170km, mas aqui o sistema é bruto, o terreno é agressivo, eu vim preparado para dificuldades, mas aqui elas são maiores do que imaginei, a moto tá sofrendo muito, ontem de repente senti a moto estranha, quando parei vi que quebram 8 raios da moto, e o pneu estava esvaziando, chegou um ponto que tirei a bagagem e escondi no mato para aliviar o peso, e fui com o pneu quase vazio, encontrei uma casa e um garoto me emprestou uma bomba manual, nisso o rapaz foi me acompanhando na moto dele com a bomba, achamos um posto e enchi o pneu, foi pior, depois andando o pneu estourou, a câmara entrou na corrente, aí tive que me arrastar do jeito que deu até a oficina.
O mais surpreendente foi em Dianópolis, consegui peça, coisa excepcional, é quase impossível vc comprar raios uma xt660 em Brasília, imagine numa loja de beira de estrada.
Peguei a moto emprestada para buscar minha bagagem que deixei escondida.
Sai sai da oficina já as 18h, era 70km até Lagoa da Serra, só que tinha 30 km de areia e eu não sabia, foi o momento mais tenso da viagem e pra piorar caiu uma tempestade e no escuro, resultado, gastei 2 h, cai 5 vezes, gps aqui não funciona nas vias de terra e um pastor alemão de a fazenda queria me matar, menos mal que não me perdi, não existe sinalização alguma.
Acampei em frente Lagoa da Serra, fui convidado por uns jipeiros para jantar, salvou geral, menos um trampo.
Acordei de frente para lagoa e foi aquela surpresa, valeu cada tombo que tomei, mas o trampo na para, coloquei as coisas para secarem e sai às 11h rumo a Mateiros TO, famoso Jalapão, pela manhã uma criança me falou, “Jalapão é bruto” depois descobri que é o lema daqui, é bruto mesmo, os carros e motos se desmontam, hoje rodei 190km de estrada de chão, mas não é estrada, no início ontem tem soja, é muita areia que virou lama, coisa absurda, depois quando é só cerrado o negócio fica feio, é muito agressivo, impossível para carros de passeio.
Cheguei em Mateiros as 19h, 274 km em 8h, abasteci, lavei a moto, jantei e peguei mais 35 km em 1h até a Cachoeira da Formiga, até agora chegue a noite em todos os camping.
Hoje fiquei com medo da moto quebrar, foi muito pesado, muita pancada seca, foi tenso, não existe estrada, é trilha, fiz muita força, mas tô feliz pra caralho!!!!!
Fonte: Luciano Ribeiro